o-cometa:
“Toda Poesia, Leminski.
”
naughtytate:
“Que seja pela noite toda.
”
  • planteador:

    “Você não entende? Eu posso magoar qualquer um, mas não aceitaria a ideia de magoar você.”

    Essas foram as palavras dela.  

    (Source: autenticar)

  • pulmonias:

    por causa da minha doença eu perdi momentos. perdi festas, saídas, brincadeiras. perdi dias na praia, jogos de basquete e futebol. perdi cursos, palestras, manifestações. perdi o gosto pelas coisas, a energia pra sair da cama, o ânimo pra tentar mais outra vez. perdi oportunidades de amizades ou namoro. perdi laços antigos de anos ou meses. perdi a força pra investir nas pessoas, a fé em mim, a confiança nos sentimentos, perdi a coragem, a energia que relações demandam (embora as pessoas finjam que não). perdi a fé numa religião que me cobrava mais do que tranquilizava, que me condenava mais do que acalentava. eu perdi a companhia física, metafísica, celestial, virtual, sentimental. eu me isolei e perdi a capacidade de estar presente mesmo nas coisas que não perdi. perdi a calma, a tranquilidade, a clareza do pensamento. perdi a energia, a vontade e os sonhos. os grandes objetivos, as vitórias pequenas. perdi a paciência comigo e me cobrei pelas coisas que perdi. vez por vez. cada dia, momento, relação, gota de energia e ânimo, cada pequeno detalhe entalhado na pele: as coisas que não fui, não fiz, não sei. a doença me consumiu a mente, os músculos de atleta, as mãos de artista, o riso de jovem, o ânimo de viva. às vezes eu não sei se fiquei doente e morri, pra vagar feito zumbi só com corpo e sem alma. zumbi que perde coisas que só se mostram pros vivos. que perde pessoas e sensações. pra acha-los muitos comprimidos e gotas depois, sempre temporariamente. ou, no desespero, 4 copos depois, por períodos mais curtos ainda. mas são doses que custam caro. as enxaquecas. os enjoos. a falta de atenção. a boca seca. o sono excessivo. a agressividade ou a passividade, dependendo da tarja. a morte da libido. o ganho de peso. ou a falta de apetite e a perda de peso. os tremores. a insônia e os pesadelos. ou, nos dias de desespero, a ressaca. o corpo sempre pagando preços caros pra fazer a mente funcionar direito. eu perdi a capacidade de funcionar sem auxílio de drogas lícitas. o que é verdade pra pessoas com todo tipo de doença que também precisam permanentemente de auxílio. e pra todos nós: é difícil perder a liberdade de ser sem tarja, sem bula, sem receita, sem horário e dose controlada. eu queria poder agora falar sobre como no final tudo se ajeita, mas esse não é um texto sobre o lado bom das coisas horríveis, que às vezes simplesmente não existe. é sobre como me sinto incompleta e triste por ser privada (por mim mesma) de funcionar.